quinta-feira, 10 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Eu e Você

E a velocidade dos segredos me perseguiam vorazmente.
Mistérios de dar medo em gente grande!
Estava tudo escondido debaixo da cama, dentro
da minha caixa, a caixa que tinha o meu nome pregado na lateral.
Eu te guardava como se fosse minha, e como se fosse um perigo gigante
te deixar esborrachar no chão.
Eu te protegia como mãe.
Eu te amava como filha.
Eu tinha seu carinho, todo o meu carinho arregaçado em pedaços.
Eu guardava seu rosto como quem guarda cartas de amor.
E dentro do peito crescia mais afago. Eu transbordava.
Você não se importava muito. Talvez você não soubesse
o tamanho desse amor maluco que me tomava.
Ou talvez soubesse...
Talvez você soubesse de tudo isso, e fizera esse 'teatro'
para eu me arrasar mais e mais.



.

Se eu morresse de saudade

Se eu morresse de saudade
Todos iriam saber
Pelas ruas da cidade
Todos poderiam ver
Os estilhaços da alma
Os restos do coração
Queimado, pobre coitado
Pelo fogo da paixãoSe eu morresse de saudadeMandariam lhe prender
O povo suspeitaria
Que o culpado foi você
O seu retrato estaria estampado em cada grão
Do que em mim restaria
Feito areia pelo chão
Fantasia, fantasia, sedução
Desde o dia em que eu segurei sua mão
Se eu morresse de saudade
Nunca iria conhecer
O prazer da liberdade
O dia de lhe esquecer
Se eu morresse de saudade
Não poderia dizer
Que bom morrer de saudade
E de saudade viver

Gil

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O outro lado da linha

o coração faz tun lun lun lun lun,
desmancha em mim.

a barriga revirada parece que vai explodir!

e o outro lado que não atende. . .

uma,

duas,

três chamadas,

e nada!


minhas mãos congelaram,
meu peito se incrustou

com uma camada densa de desamor.



...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua usência trescale
sutilmente, no ar, a trvo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe porque nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.


(Mário Quintana)

O Amor é Filme


O amor é filme!
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica...
Um belo dia a gente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio 2.
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente, tudo acabou bem,
Agora o que vem depois?
É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos...
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos.
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O zoon in dá ré e sobem os créditos.
O amor é filme e Deus espectador!



(Cordel do Fogo Encantado)

Os buracos do espelho

O buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar aqui

com um olho aberto, outro acordado

no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso

mesmo que me chamem pelo nome

mesmo que admitam meu regresso

toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede

a palavra de água se dissolve

na palavra sede, a boca cede

antes de falar, e não se ou

vejá tentei dormir a noite inteira

quatro, cinco, seis da madrugada

vou ficar ali nessa cadeira

uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar agora

fui pelo abandono abandonado

aqui dentro do lado de fora


(A r n a l d o A n t u n e s)

. . .