quarta-feira, 11 de julho de 2012

Há qualquer coisa de longínquo em mim neste momento.
Estou de fato à varanda da vida, mas não é bem desta vida. (...)
Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado
nem do futuro: sou uma saudade do presente, anônima, 
prolixa e incompreendida.

Fernando Pessoa

5 meses e uma dor no peito...

Saudade é um sentimento que eu não sei explicar...
A saudade só aumenta a cada minuto
e você não vem
eu olho pro quarto
e você não está
passeio pela casa vazia
e em nenhum canto eu te vejo
eu aqui viajando com os Beatles te esperando
e você não chega
me diz
onde você está
preciso te encontrar
preciso do seu abraço, preciso
te ver chegar...

as lágrimas escorrem sem párar
eu te amo, pai...
aqui e em qualquer outro lugar...

domingo, 8 de julho de 2012

A morte é uma flor que só se abre uma vez.
Mas quando se abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora de estação.
E vem, grande mariposa, adornando caules ondulantes.
Deixa-me ser o caule forte da sua alegria..


Paul Celan

terça-feira, 29 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

...

um celular
um par de havaianas 42
uma caixa de remédios
coletânea dos beatles
seus óculos
as melhores músicas do mundo
um bocado de amores
um bocado de lembranças
muitas saudades

....




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Era isso - aquela outra vida, inesperada misturada a minha, olhando a minha vida opaca vida com os mesmos olhos atentos que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nesses dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo a noite, aos domingos...



terça-feira, 15 de maio de 2012

Achava que não podia ser magoada...

Achava que não podia ser magoada,
Achava que com certeza era
imune ao sofrimento -
era imune às dores do espirito
ou à agonia.

Meu mundo tinha o calor do sol de abril
Meus pensamentos, salpicados de verde e ouro.
Minha alma em extase, ainda assim
conheceu a dor suave e aguda que só o prazer
pode conter.

Minha alma planava sobre as gaivotas
que, ofegantes, tão alto se lançando,
lá no topo pareciam roçar suas asas
farfalhantes no teto azul
do céu.

(como é frágil o coração humano -
um latejar, um frêmito -
um frágil, luzente instrumento
de cristal que chora
ou canta.)

Então de súbito meu mundo escureceu
E as trevas encobriram minha alegria.
Restou uma ausência triste e doída
Onde mãos sem cuidado tocaram
e destruiram

minha teia prateada de felicidade.
As mãos estacaram, atônitas.
Mãos que me amavam, choraram ao ver
os destroços do meu firmamento.

(como é frágil o coração humano -
espelhado poço de pensamentos.
Tão profundo e trêmulo instrumento
de vidro, que canta
ou chora.)


Sylvia Plath


Sempre a promessa, a esperança, o sonho, por mais que haja pobreza, guerra, doença e adversidade - sempre persistir na crédula visão humana de haver algo melhor do que o que há.


Sylvia Plath

sábado, 5 de maio de 2012

...

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perder e eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode, eu não vou te pedir
O que você não quer, eu não posso insistir...














Que gosto ruim é esse que ficou em mim?
A dúvida é o preço da pureza,
e é inútil ter certeza. . .