"A gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros."
(CAIO F.)
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
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"Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha vida opaca vida com os mesmos olhos atentos que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos"
Caio Fernando Abreu
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
' Ainda dá tempo de mudar de rumo, partir de repente, mochila nas costas, rumo aos montes desconhecidos nos quais... só o vento sabe o que se esconde. Será, será que ela vai mudar de rumo? Haverá tempo, ela diz, sabendo de algum jeito que no seu início está seu fim e que as sementes da destruição talvez dormentes agora podem ainda hoje começar a germinar malignas dentro de si. Ela foge da ação numa direção para a ação na outra, sabendo o tempo inteiro que um dia deverá enfrentar, atrás da porta de sua escolha, talvez a mulher, talvez o tigre... '
[Sylvia Plath]
“(...) sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois”
[Guimarães Rosa]
[Guimarães Rosa]
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Sobre as estrelnas...
Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.
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Rita Apoena
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Rita Apoena
Às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios (…) Tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo, e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta.
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso".
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso".
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