quinta-feira, 20 de maio de 2010

É melhor sofrer em dó menor do que você sofrer calado..

Ando com minha cabeça já pelas tabelas...
Amanhã, ninguém sabe. Traga-me um violão antes que o amor acabe
Direi meias verdades, sempre à meia luz
Meia noite, mais um copo.
E eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando...
Me conta agora como hei de partir?...


Chico Buarque

sempre,sempre,sempre

:D

Q U E R E R já é um bom começo...


nem sempre se é aquilo que se quer
mas sempre se pode ser bem mais
que qualquer coisa qualquer.
s e r . . .
ou não
s e r ? ! ?
não é bem uma questão de QUERER,
mas de PODER SER.
porque querer é "desejar estar, desejar ver-se"
contudo, PODER SER é questão de "ter capacidade para fazer alguma coisa"
que já é outra questão de poder "fazer".
e tudo isso e nada disso é questão de pensar que se é permitido (e é mesmo!)
poder
querer
fazer
e principalmente
S E R
simplesmente SER o que se QUER.



*

sexta-feira, 14 de maio de 2010


Quando a terra reivindicam os nossos membros à poeira suspensa
no chão
A alma encantada gira expondo-se aos ventos
E dissolvendo-se ao Sol
Mãos de ferro e corações de seda brincam de dia
E dormem no silêncio da noite
E a Vida, quando a Vida revela sua face sagrada
é quando podemos finalmente DANÇAR!


*

quinta-feira, 13 de maio de 2010

s o b r e s s a l t o

cai a tarde
não arde o sol
só uma luz resplandece
forte
intensa
intima
cheia de saudade
cheia de cor,
cheia de calor
i n t u p i d a
de a m o r
o teu a m o r
só pra mim
e n f i m
.
.
.


Beijo meu!


*

domingo, 25 de abril de 2010

NO OSSO


Havia duas metades
E ainda não sei quem és
meia porção de saudade
Meias esquentando os pés

E ela me disse: vou ali
Volto se a chuva passar
E tem tanta agua pra cair
Na madruaga...

Havia um moço e uma janela
gelando o quarto vazio
ali um vento vinha entoando
esse choroso assobio

E vai doer no osso esse frio
Vai doer no osso...


Pietro Leal

segunda-feira, 19 de abril de 2010


O melhor do amor
não se escreve,
talvez não se fale jamais.
Refugia-se
Nos longos olhares,
Nos longos beijos,
Peito contra peito
E o coração nos lábios

Will Durant

"E, de qualquer forma,
às cegas,
às tontas,
tenho feito o que acredito,
do jeito talvez torto que sei fazer”

Caio F.

(...)Já agora te sigo a toda parte,
e te desejo e te perco, estou completa,
me destino, me faço tão sublime,
tão natural e cheia de segredos,
tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,
o povo, meu poema, te atravessa."

(Carlos Drummond de Andrade em "A Rosa do Povo")

sexta-feira, 16 de abril de 2010

PENSAR É TRANSGREDIR

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Lya Luft

Dos ensinamentos da minha Tia...

"Seja você e seu SER,
nunca enfeite uma situação."


*